Entrevista com Jaqueline Fragozo: sobre o inglês em escolas regulares

A entrevista de maio não poderia ser mais especial: além de ser a 12ª entrevista publicada no English in Brazil (ou seja, 1 ANO entrevistando pessoas com currículos e histórias fantásticas!), a entrevistada da vez é a minha irmã, Jaqueline Fragozo (sim, somos uma família de teachers!). A Jaque é professora de inglês desde 2005 e tem experiência com Ensino Médio, Ensino Fundamental, escolas de idiomas e aulas particulares. Nesta entrevista, ela conta sobre sua carreira em escolas públicas e privadas e menciona as alegrias e os desafios de lecionar uma língua estrangeira neste contexto. 
Boa leitura!

EiB: Conte-nos sobre seu início como professora de inglês em escolas regulares.

JF: Iniciei uma escola estadual, no turno noturno, com o Ensino Médio. Eu era mais nova que a maioria dos alunos e estava no quarto semestre da faculdade. Tive uma boa receptividade por parte dos alunos, e acredito que fiz um bom trabalho mesmo com tamanha inexperiência. Claro que hoje olho para trás e penso nas minhas primeiras aulas e me dá até uma certa vergonha, mas fico feliz por ter evoluído! Trabalhei por 9 anos nessa escola, sempre com o Ensino Médio e, paralelamente, trabalhei em uma escola municipal na zona metropolitana de Porto Alegre com o Ensino Fundamental por 4 anos. Nessa época comecei a trabalhar em uma escola particular com o Ensino Médio, um dos meus empregos atuais. Atualmente trabalho na escola particular com o Ensino Médio, em uma escola municipal de Porto Alegre com as séries finais do Ensino Fundamental e com aulas particulares. 

EiB: Muitos brasileiros afirmam que não é possível aprender inglês na escola e que, se o objetivo é ser proficiente na língua, é necessário recorrer a cursos de idiomas. O que você pensa sobre isso?

JF: Acredito que é possível aprender inglês na escola sim, mas para atingir a proficiência na língua seria necessário mais carga horária do que a maioria das escolas oferece. Isso ajudaria o professor aprofundar o seu trabalho e o aluno a ter mais contato com o idioma. No entanto, é possível aprender MUITO inglês na escola, mas isso depende também do aluno. Ele deve prestar atenção nas aulas, fazer as tarefas propostas, ler bastante em inglês, manter contato com a língua inglesa fora da sala de aula… Tenho alunos que falam inglês muito bem e nunca frequentaram um curso de inglês. 

EiB: Quais as vantagens de lecionar inglês neste contexto? E as desvantagens?


JF: A vantagem é a amizade entre os alunos, a parceria entre eles. Também é bom porque podemos fazer várias atividades em grupos por termos bastante alunos. Adoro criar projetos, trabalhos em que eles tenham que usar o idioma para criar algo. Há algum tempo atrás, na época das eleições, fizemos um trabalho em que os alunos deveriam gravar uma propaganda política e fazer santinho do seu candidato. No final, eles votaram e escolheram o prefeito. Mais recentemente produzimos um guia turístico da cidade de Porto Alegre para os turistas da copa.  Como desvantagens posso mencionar o grande número de alunos em sala, o que impossiblita muita prática da oralidade e, dependendo da turma, a falta de disciplina, que atrapalha muito o desenvolvimento das aulas e consequentemente a aprendizagem. 

EiB: Existe alguma diferença entre lecionar inglês em escolas públicas e particulares? Quais?

JF: Atualmente estou lecionando em duas escolas: uma particular e uma municipal. Comparando as duas escolas, posso dizer que são bastante diferentes. Na escola particular os alunos são mais cobrados, eles sentem que devem dominar o conteúdo para serem aprovados. Além disso, eles sabem da importância de saber uma segunda língua e muitos fazem curso de inglês, o que torna as aulas mais produtivas por já terem uma boa base. Como ponto negativo, vejo que a carga horária é insuficiente e as turmas são cheias, então não é possível fazer uma aula muito comunicativa. A solução é fazer uma aula mais expositiva, baseada na leitura e interpretação de textos e gramática. Não trabalho mais em escola estadual, mas acho importante relatar a experiência que tive nela. Tive altos e baixos: muitos alunos não tinham interesse algum e muitos valorizavam muito as aulas. Tinha turmas muito heterogêneas: alunos que não sabiam nem o verbo to be e alunos que tinham boas habilidades com o inglês. Muitos também faziam curso, mas alguns deles desdenhavam a aula de inglês da escola porque faziam curso e consideravam a aula da escola inútil. Estou iniciando agora na escola municipal, mas é uma outra realidade também. Dou aula para alunos que nunca tiveram aula de inglês na vida. Alguns acham extremamente difícil, outros acham o máximo e adoram falar tudo em inglês. No geral eles gostam bastante e valorizam as aulas, sabem que é importante. Eles anotam nomes de música, frases em roupas, nomes de jogos de vídeogame, levam para a aula e estão sempre perguntando.

EiB: Você já passou por alguma situação engraçada ou constrangedora durante esses anos de ensino? Conta pra gente!

JF: Uma vez pisei numa bolinha de papel e dei um grito, todos caíram na risada! Não sei por que gritei, mas me assustei, pensei que fosse um bicho, sei lá. Já tropecei e quase caí enquanto andava pela sala, já chutei uma mochila que estava no chão sem querer. Além de trocar palavras e nomes de alunos. Acho que é isso, talvez tenha algo mais que eu não me lembre, mas se algum aluno ler essa entrevista e lembrar de algo pode colocar nos comentários. 

EiB: O que te deixa mais feliz em sua rotina como professora?

JF: Adoro estar em contato com os alunos, não me imagino em outra profissão. Adoro quando eles aprendem, quando usam o que a gente está trabalhando em sala de aula. Ou então quando eles têm aquele “click”, entendem a matéria, me explicam e perguntam se estão certos. Também adoro quando lembram daquilo que foi discutido em aula ou quando pedem para eu trazer determinado assunto para a aula. Além das conversas, risadas, troca de experiências, todo o relacionamento pessoal.

EiB: Deixe uma mensagem para os alunos que estudam inglês em escolas regulares e para os professores que lecionam nessas escolas.

JF: Aos alunos, aproveitem ao máximo as oportunidades, perguntem, critiquem, envolvam-se, sejam responsáveis pelo seu aprendizado, deem o melhor de vocês. Aos professores, acreditem no que fazem e aproveitem ao máximo o que puderem oferecer ao seus alunos. 

EiB: Muito obrigada pela participação, e parabéns por ser essa profissional dedicada, responsável e que está sempre em busca de aperfeiçoamento. 

JF: Eu é que agradeço a oportunidade! Desejo muito sucesso ao blog e a todos os leitores.

Jaqueline Fragozo
PS: Mó orgulho da minha mana. Ela foi minha inspiração para cursar a Faculdade de Letras e é uma profissional admirável. Espero que tenham gostado da entrevista!
PS²: Hoje é 1º de junho, mas esta é a entrevista de MAIO. No fim do mês será publicada mais uma entrevista!



  • http://www.inglesparaleigos.com/ Ueritom Ribeiro Borges

    Eu já a entrevistei também..haha..mundo pequeno.. :)

    • Carina Fragozo

      I know 😛